B737-200 Lufthansa D-ABCE ‘Landshut’ – Crônica de uma chegada

Após a decolagem do AN-124 de Fortaleza, na rota por cima do Beach Park, as aeronaves pernoitaram em Cabo Verde. Primeiramente decolou o AN-124 com destino a Friedrichshafen. Este passou por perto de Paris antes de se dirigir ao Bodensee, pousando às 09:20h pelo lado nordeste em Friedrichshafen, com 20 minutos de atraso. Como esperado, embora mais de 4000 mil pessoas aguardando, o pouso foi super tranqüilo, em que pouca pista dos 2200 metros de comprimento foi utilizada, em um pouso bastante suave com as 37 toneladas à bordo. Afinal vinha com pouco combustível para pouco onerar a pista estreita local.

O aeroporto de Friedrichshafen é muito semelhante em seu layout ao de Fortaleza. Inclusive, ambas as cidades, iniciando com a letra ‘F’. Percebe-se que a aeronave se deslocou na área de reparos de menores tamanhos à frente do Hangar Airplus, aonde ficará guardado o B737-200, até seu restauro e deslocamento ao museu em 2 anos, portanto Outubro de 2019. Antes disso pouco se falará ao público a respeito, bem porque um conceito ainda é procurado pela Lufthansa-Technik para restaurá-lo, já que está extremamente corroído e deteriorado.

Ao chegar, abriu-se as portas do Antonov, em uma grande festa receptiva. Lá estavam, além do público, cerca de 80 repórteres, o co-piloto, os ex-tripulantes, inúmeros suportes do aeroporto, bem como o diretor do museu que recepcionou a comitiva do Antonov, o chefe da Lufthansa-Technik com camisa verde-amarela representativa e seu time. A retirada foi em processo igual à sua entrada na fuselagem em Fortaleza, ambos usaram 2 guindastes semelhantes, uma carreta para apoiar a fuselagem em demonstrativo à frente do público, que estavam cercados em área junto ao museu.

Primeiramente acenou na rampa do Antonov, o time que desmontou o boeing. Acenaram aos repórteres, expostos à fotografias e videos. A única garota do time, a Lisa, uma Loira, ficou na ponta. Pelas fotos, nota-se que posteriormente subiram à rampa o diretor, o co-piloto, a antiga assistente de bordo, o agente do GSG-9 da polícia e Diana Müll, uma sobrevivente do atentado, que escreveu um livro e o propagandeou às comitivas. Esses também se expuseram às redes televisivas e ficaram famosos mais uma vez.

Após esse enxame de fotógrafos e jornalistas em torno da rampa do Antonov, iniciou-se o que uma senhora disse : ‘O nascimento de uma baleia branca’, como imaginou, ou seja, extrair a fuselagem do Boeing para fora com posterior carregamento ao reboque. Vale a pena notar que, no Brasil, usou-se um reboque alto, enquanto que, na Alemanha, a empresa de logística optou por um baixo, rente ao piso, com ajuste de comprimento, para facilitar a entrada no hangar baixo e consequente descarregamento no mesmo. Nada se quebrou no caminho, já que era mais volume que peso em si.

Veja as fotos:

Extraída a fuselagem, bem como o suporte com as asas e o leme, chega no interim o IL-76 às 13h com os dois containers com bancos e motores, bem como os estabilizadores. Vale dizer que o público mesmo nada estava empolgado com a aeronave russa menor da Volga-Dnepr. Como disse um, ele queria ver a coisa grande, já que gostava de coisas grandes. Poucos também se importaram com o ‘Landshut’ em si, que chocante deteriorado fez um realce à frente do museu. Deu sua volta e foi-se recolher definitivamente, por enquanto no hangar.

Somente pessoas mais velhas deram a importância do fato do sequestro, do que realmente é estar cinco dias preso em uma aeronave pequena, em um banco desconfortável, sem comer e beber de acordo, sem poder quase dormir, sob vigia o tempo todo, estresse de ir ao banheiro pedindo, ou implorando para se deixar vivo, de se esconder por detrás do outro banco para pouco ser visto e focalizado, sob armas de ataque, enfim, sob os traumas devido aos cinco dias e noites corridos de angústias.

Claro que a aeronave tem inúmeros vôos, mais de 60 mil por 7 companhias aéreas. Esse só foi um episódio triste em um voo de retorno de férias. Um 737 também nada é uma raridade, mas esse foi, com isso, excepcional. Existem ainda vários de um número imenso de modelos e cores voando ainda nos céus. No caso do Illyushin, embora uma bela aeronave similar também, serviu mesmo só de suporte.

Contando um pouco de curiosidades, o IL-76 ficou contraposto detrás ao AN-124, também à frente do Hangar da Airplus, que deva ter convênio com o museu para estoque e ceder o lugar para os trabalhos de conserto do Boeing. Isso facilitou a logística, que foi bem mais simples que Fortaleza.

Também pode-se observar que a flexibilidade com os visitantes e apreciadores do evento e show foi bem mais aceitável que no Brasil. Enquanto credenciais e a comitiva organizadora se mostrou mais apta a aceitar pessoas no pátio, em Fortaleza se fez o contrário: admiradores eram deixados de lado. Em ambas culturas existem rigorosas regras impostas, porém o respeito ao próximo na Alemanha foi maior, neste caso aos admiradores.

A empresa Zepellin também se aprontou com seu dirigível para usar do momento em fazer vôos pagos a quem quisesse, sobrevoando o aeroporto no momento. Um garoto, usando-se do prestígio das autoridades do aeroporto, fez uso de um drone e realizou videos e fotos espetaculares. Isso criou um aborrecimento no controle da aeronáutica que poderia ter gerado um processo de multa, por, embora o momento especial, a liberdade total ser ora bem controlada por alguns. A também descida do IL-76.

O pouso do Illyushin também foi bem suave e sem o menor problema, embora da histeria com essas aeronaves no aeroporto sob o ponto de vista de alguns. Rapidamente se retiraram os containers e caixas e puseram no hangar. Após sua volta curta pelo pátio sobre uma carreta, a fuselagem e asas também fizeram um demonstrativo curto, mas que usou quase todo o dia, tudo isso aos visitantes.

O Museu juntou a si cerca de € 10 mil de dinheiro entregues voluntariamente dos visitantes para a reforma. Embora o estado, ou melhor, o Ministério da Cultura subvenciona o museu com tal empreendimento, além dos € 10 milhoes gastos em tudo isso advindos dos cofres públicos, o museu criou uma página de internet para arrecadar dinheiro. O público gastou seu sábado com isso e as aeronaves da Volga-Dnepr adormeceram no aeroporto e decolaram no Domingo seguinte no horário das 15h. O IL-76-90VD foi à Hahn fazer um carregamento, enquanto o AN-124-100 se deslocou à Moscou, fazendo uma pausa.

Por fim, as partes devidamente guardadas para até se saber o que fazer com elas, o Hangar Airplus adjunto do Museu em Friedrichshafen absorve as mesmas por um período longínquo. Vale observar que, em entrevistas, a assistente do co-piloto que em Fortaleza dizia que para ela tanto fazia onde o veículo fosse exposto e os candidatos sendo um senhor em Lübeck, sem museu, um outro aviador entusiasta e o Dornier Museu, que se apresentou mais apto com um aeroporto à sua frente que permitisse o pouso de maiores aeronaves, disse que preferia em loco que fosse feito isso na casa de história da Alemanha em Bonn.

Ora, essa nada tem de infraestrutura aeroportuária, bem como nem lugar a se pôr um grande veículo aéreo. O museu de Speyer tem também um aeroporto à porta, de forma menor e mais complicada, além de já ter um acervo imenso de veículos, inclusive um B747-200 da Lufthansa. Concluo que a medida foi bem apanhada pelo Dornier Museu que perde € 1 milhao por ano com seus utensílios, porém usou-se disso para sobreviver, ajuntado à história aérea da Dornier, também esse caso. No entanto o Museu Dornier tem exposto motores, automóvel, satélites espaciais que a Dornier pouco participou, Memoráblia de Startrek, e um acervo até grande de aeronaves próprias e modelos de seus construtores. Em suma, finalizamos com o Boeing 737-230C ‘Landshut’ sendo guardado e aguardado.

Vale a pena mencionar, que se ele se enamorou por 9 anos consecutivos no pátio de floresta de Fortaleza com, de um lado um outro B737-200 advindo da Air Lingus, que pode ser uma ruiva ou um ruivo, ou do outro lado um outro B737 da ex-Varig, sendo, com certeza, uma morena brasileira ou um moreno, pois sabe-se lá o sexo do ‘Landshut’. Esse namoro se encerrou e ficaram-se as lágrimas do apartado, 1 no hemisfério norte e ainda 7 aeronaves sem rumo no hemisfério sul. Esperamos que tenha apreciado esse breve compêndio sobre mais um momento dessa aeronave. Voltaremos um dia em 2019 com mais notícias, se isso ainda existir. 

Você pode se perguntar: e esse treco vermelho na porta dianteira?

Pouco sabemos o motivo, mas acreditamos ser um diferenciativo, por tudo ser branco, do que é traseira e frente. Ou seja, onde está isso, é a frente, item de logística apenas. A fuselagem tem 4,01 metros de altura por 3,76 metros de largura, que coube perfeitamente na altura interna do Antonov de 4,40 metros, mesmo com o suporte amarelo de uns 25 cm. Tirantes foram usados com mínimo de peso, porém bem amarrados.

Fica a pergunta: Valeu a pena?

Perceba que a TAF pagou pela aeronave US$ 4,3 milhões, ou seja, quase que 4 milhões de euros para uma aeronave velha, mas funcionando. Agora foram já gastos 10 milhões de euros em um transporte de tirar o fôlego a alguns, para ter uma aeronave que pouco é relíquia, sem funcionamento e só estática demonstrativa.

Mas enfim a ruiva da Air-Lingus pode ser uma americana aloirada de Holywood da Delta … e sabe-se que novas aeronaves vem e voam embora. Essa fez seu último vôo na barriga da madre de aluguel.

E para quem ficou sem ver um chuveiro entre 13/10/1977 a 18/10/1977 nessa aeronave, essa mesmo precisa de um banho de imediato. Será que depois de tudo, a sucateiam na Alemanha? Fica a pensar….

Autor: M.K., correspondente SBFZ Spotting na Alemanha.