SBFZ Spotting no Aviação Aventura – Expedição Pacatuba

Nesse domingo, 06/08/2017, o SBFZ Spotting marcou presença no evento Aviação Aventura – Expedição Pacatuba. O evento contou também com a presença de alunos e ex-alunos da Interline Consultoria e Treinamentos, além de funcionários do Aeroporto de Fortaleza.

O Aviação Aventura – Expedição Pacatuba tinha como objetivo levar entusiastas e profissionais da aviação para realizar a trilha ecológica da serra de Pacatuba e, na trilha, ter a oportunidade de visitar os destroços do voo 168 da VASP que, na madrugada do dia 8 de Junho de 1982, se chocou contra a Serra da Aratanha, em Pacatuba, enquanto realizava os procedimentos de descida para o pouso no Aeroporto de Fortaleza.

SOBRE O ACIDENTE

Na noite do dia 7 de Junho de 1982, decolava do aeroporto Congonhas, em São Paulo, o Boeing 727-200 (o Super 200, como era conhecido na época) da Vasp, matrícula PP-SRK, sob o comando de Fernando Antônio Vieira de Paiva, para cumprir o Voo 168. Esse voo ligava a capital paulista à capital cearense, com escala no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. O voo 168 saiu de Congonhas por volta das 22:53h levando 54 passageiros e 9 tripulantes. Cerca de 40 min depois pousou no Galeão, onde os demais passageiros embarcaram. Por volta das 00:12h do dia 8 de Junho o voo deixou o solo carioca para cumprir a última etapa do voo direto para Fortaleza. Essa etapa do voo foi, segundo dados da FAB, realizado em 33.000 pés (FL330).

Boeing 727-200 (PP-SRK) que operou o voo 168 da VASP

Por volta das 02:25h, quando estava cerca de 260km de Fortaleza, o comandante Fernando Antônio Vieira de Paiva solicitou ao controle de tráfego aéreo o início do procedimento de descida. O controle então autorizou a descida até o FL050, devendo a tripulação reportar ao controle quando ultrapassasse o FL010. A descida então começou a ser realizada cerca de 253km da capital quando o procedimento previsto pelas cartas de navegação indicavam o seu início apenas a 159km. Em suma, o procedimento de descida se iniciou quase 100km antes o previsto e o controle de tráfego de Fortaleza jamais questionou tal procedimento realizado pela tripulação.

Ao chegar ao FL050, altitude autorizada pelo controle de tráfego de Fortaleza, o co-piloto Carlos Roberto Duarte Barbosa não reportou a estabilização nesse nível, como fora solicitado. Além disso, por já ter as luzes da cidade de Fortaleza no seu visual, o comandante decidiu continuar a descida até o nível de 1500 pés, que era a altitude de tráfego visual de Fortaleza. O comandante então pediu autorização da torre para descer ao FL015 e a torre autorizou sua descida e novamente solicitou que, ao atingir a altitude autorizada, reportasse ao controle. Nesse momento, o Boeing 727-200 já havia entrado em rota de colisão com a serra de Aratanha, sem que os pilotos e os controladores de voo tivessem ciência disso.

Cerca de um minuto e doze segundos depois de iniciar a descida ao FL015, às 02:45h do dia 08 de Junho de 1982, o Super 200 da VASP chocou-se contra a serra da Aratanha, em Pacatuba, a cerca de 1950 pés de altitude, cerca de 600 metros acima do nível do mar ceifando a vida dos seus 137 ocupantes, sendo 9 tripulantes, tornando-se à época, o maior desastre aéreo brasileiro.

Após cinco minutos tentando contato com o avião e não obtendo sucesso, o controle de Fortaleza acionou as equipes de busca e salvamento, já prevendo que uma tragédia poderia ter acontecido.

Por ser uma área de vegetação densa, houve destruição total da aeronave, espalhando fragmentos da aeronaves e dos corpos dos seus ocupantes por uma grande área. Por conta dos corpos terem se fragmentado em milhares de pequenos pedaços e por não haver testes de DNA na época para que pudessem ser identificados os corpos, todos os fragmentos resgatados foram enterrados em uma sepultura coletiva no cemitério Parque da Paz, em Fortaleza, onde consta uma placa de bronze com o nome de todas as vítimas do voo.

SOBRE O EVENTO

O Aviação Aventura – Expedição Pacatuba foi uma trilha ecológica realizada por cerca de 40 pessoas, dentre profissionais e entusiastas da aviação com o objetivo de visitar destroços do Super 200 da VASP que ainda permanecem no local. Dentre os participantes, alunos dos cursos de Agente de Aeroporto e de Atendimento de Aeronaves da Interline Consultoria e Treinamentos, além de seus ex-alunos, funcionários o aeroporto Pinto Martins e integrantes do SBFZ Spotting que são muito gratos pelo convite feitos pelo Paulo Souza e pelo Rômulo Mesquita.

A seguir, algumas fotos do evento:

Subida da trilha da Serra da Aratanha, em Pacatuba.
Participantes do Aviação Aventura - Expedição Pacatuba
Participantes do Aviação Aventura – Expedição Pacatuba
Parte de um dos trens de pouso do Boeing 727-200 acidentado.
Parte de um dos trens de pouso do Boeing 727-200 acidentado encravado nas rochas.
Um dos motores do tri-jato acidentado.
Motor que ainda se encontra na mata da Serra de Aratanha.

Vista do trem de pouso com cachoeira ao fundo.
Após quase 3h de subida intensa, a trilha chega ao fim.